Tenho sentido, desde há uns meses, um vazio grande no peito. A ambição e a vontade de crescer fugiu. O gosto em andar por Lisboa e aproveitar as tretas bonitas que esta cidade tem desapareceu. Não tenho saído e as vezes que o faço não me enchem as medidas. Penso nas aspirações que tinha quando para cá vim e vejo isso cada vez mais longe. A movida da cidade Lisboeta anda me a chatear, não tem novidade, não tem classe e a excitação que houve noutros tempos desapareceu. Eu sei, é a Crise.
A Crise além de ter dado cabo da nossa Lisboa que era tão bonita. Deu cabo das expectativas positivas e da esperança.
Olho para mim e para os lados e só vejo pessoas a aguentarem-se.
Antes retirava prazer de tudo o que era passeio. De comer tapas num café bonito, de beber ginjinhas e de comer castanhas pela rua. Agora continuo a fazê-lo mas falta-me aquela vontade de levar tudo à frente e de saber que aqui eu tinha a possibilidade de mostrar as minhas coisas e de ter pessoas a gostar delas. De crescer.
Agora isso não me importa.
Agora só temos:
-as esperanças arrasadas e as expectativas pisadas.
-Ocasionalmente sentimos uma picada de excitação que se esvai em segundos.
Valha-nos a Árvore de Natal do Terreiro do Paço a ver se o Natal nos toca o coração.